Estratégia de inovação e capacidades organizacionais
Por que organizações com acesso à mesma tecnologia obtêm resultados diferentes: capacidades dinâmicas, capacidade absortiva, ambidestria e sistemas de gestão da inovação.
Capacidades dinâmicas: sensing, seizing, transforming
Identificar oportunidades e ameaças tecnológicas antes que estejam consolidadas: monitoramento de patentes, ciência, startups, regulação e mercado.
Alimentado diretamente pela Technology Intelligence.
Mobilizar recursos e comprometer investimento na oportunidade selecionada: decisões de portfólio, modelo de negócio, estratégia de PI e alianças.
Operacionalizado pela gestão de portfólio e investimento.
Reconfigurar continuamente ativos, estruturas e rotinas para sustentar a vantagem à medida que o ambiente muda.
Depende de aprendizagem e transformação organizacional.
Capacidade absortiva
Capacidade de identificar e obter conhecimento externo relevante — scouting, prospecção, vigilância tecnológica, parcerias com ICTs.
Interpretar, rotinizar e integrar o conhecimento adquirido às estruturas cognitivas e processos internos.
Recombinar o conhecimento existente com o novo, criando novas configurações de competências.
Converter o conhecimento em produtos, processos, patentes, serviços ou receita.
- •Open innovation: sem capacidade absortiva, fluxos externos de conhecimento não se convertem em resultados internos.
- •Colaboração universidade–empresa: a assimetria de capacidade absortiva é um dos principais preditores de sucesso da parceria.
- •Technology scouting e prospecção: a inteligência gerada só tem valor se a organização puder assimilá-la.
- •Aquisição de tecnologia (buy / license): a decisão exige capacidade interna para absorver e operar a tecnologia adquirida.
Ambidestria organizacional
Retornos incertos, distantes no tempo e de alta variância. Exige tolerância ao erro e horizonte longo.
Retornos previsíveis, próximos e de baixa variância. Exige disciplina de custo e previsibilidade.
A tensão não se resolve por preferência: resolve-se por desenho de portfólio. Definir explicitamente a fração de recursos alocada a projetos exploratórios evita que a pressão por resultados de curto prazo elimine a base de renovação tecnológica.
Open innovation: inbound, outbound e coupled
Aquisição e integração de conhecimento externo: licenciamento de entrada, scouting tecnológico, parcerias com universidades, contratação de P&D, crowdsourcing.
Exploração externa de conhecimento interno: licenciamento de saída, venda de ativos de PI, spin-offs, doação de tecnologia a padrões abertos.
Co-criação bidirecional: joint development, consórcios pré-competitivos, corporate venturing e alianças estratégicas com partilha de resultados e de PI.
Família ISO 56000 — sistema de gestão da inovação
Estabelece os conceitos e a terminologia comum de gestão da inovação, permitindo que áreas distintas da organização discutam inovação com o mesmo vocabulário.
Primeira norma certificável da família: define requisitos auditáveis para estabelecer, implementar, manter e melhorar um sistema de gestão da inovação.
Documento de orientação (não certificável) que descreve como estruturar o sistema, com forte ênfase em contexto, liderança e aprendizagem.
Compreensão do ambiente externo e interno, das partes interessadas e do escopo do sistema de inovação.
Visão, política e compromisso da alta direção; tolerância calibrada ao risco e ao erro.
Direcionamento explícito, temas estratégicos, objetivos e critérios de decisão.
Processos sistemáticos de sensing, insight e definição de problema.
Seleção, priorização, balanceamento e revisão periódica das iniciativas.
Pessoas, competências, recursos financeiros, infraestrutura, PI, ferramentas e gestão do conhecimento.
Processos de inovação: da ideia à realização de valor, incluindo colaboração e desenvolvimento.
Indicadores de input, processo, output, outcome e portfólio; análise crítica pela direção.
Correção de desvios, aprendizagem organizacional e evolução do próprio sistema.