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RED206· Gestão da Inovação
Bloco conceitual · Estratégia e capacidades

Estratégia de inovação e capacidades organizacionais

Por que organizações com acesso à mesma tecnologia obtêm resultados diferentes: capacidades dinâmicas, capacidade absortiva, ambidestria e sistemas de gestão da inovação.

Teece

Capacidades dinâmicas: sensing, seizing, transforming

Sensing

Identificar oportunidades e ameaças tecnológicas antes que estejam consolidadas: monitoramento de patentes, ciência, startups, regulação e mercado.

Alimentado diretamente pela Technology Intelligence.

Seizing

Mobilizar recursos e comprometer investimento na oportunidade selecionada: decisões de portfólio, modelo de negócio, estratégia de PI e alianças.

Operacionalizado pela gestão de portfólio e investimento.

Transforming

Reconfigurar continuamente ativos, estruturas e rotinas para sustentar a vantagem à medida que o ambiente muda.

Depende de aprendizagem e transformação organizacional.

Cohen & Levinthal · Zahra & George

Capacidade absortiva

Capacidade absortiva é a habilidade da organização de reconhecer o valor de conhecimento externo novo, assimilá-lo e aplicá-lo a fins comerciais (Cohen & Levinthal, 1990), posteriormente reconceituada em dimensões potenciais e realizadas (Zahra & George, 2002).
Reconhecer / adquirir

Capacidade de identificar e obter conhecimento externo relevante — scouting, prospecção, vigilância tecnológica, parcerias com ICTs.

Assimilar

Interpretar, rotinizar e integrar o conhecimento adquirido às estruturas cognitivas e processos internos.

Transformar

Recombinar o conhecimento existente com o novo, criando novas configurações de competências.

Explorar (exploit)

Converter o conhecimento em produtos, processos, patentes, serviços ou receita.

Por que isso importa na prática
  • Open innovation: sem capacidade absortiva, fluxos externos de conhecimento não se convertem em resultados internos.
  • Colaboração universidade–empresa: a assimetria de capacidade absortiva é um dos principais preditores de sucesso da parceria.
  • Technology scouting e prospecção: a inteligência gerada só tem valor se a organização puder assimilá-la.
  • Aquisição de tecnologia (buy / license): a decisão exige capacidade interna para absorver e operar a tecnologia adquirida.
March · O'Reilly & Tushman

Ambidestria organizacional

Ambidestria organizacional é a capacidade de conduzir simultaneamente exploration (busca, variação, experimentação, novas trajetórias) e exploitation (refinamento, eficiência, escala das competências existentes) — March (1991); O'Reilly & Tushman.
Exploration

Retornos incertos, distantes no tempo e de alta variância. Exige tolerância ao erro e horizonte longo.

Exploitation

Retornos previsíveis, próximos e de baixa variância. Exige disciplina de custo e previsibilidade.

A tensão não se resolve por preferência: resolve-se por desenho de portfólio. Definir explicitamente a fração de recursos alocada a projetos exploratórios evita que a pressão por resultados de curto prazo elimine a base de renovação tecnológica.

Chesbrough

Open innovation: inbound, outbound e coupled

Inbound (outside-in)

Aquisição e integração de conhecimento externo: licenciamento de entrada, scouting tecnológico, parcerias com universidades, contratação de P&D, crowdsourcing.

Outbound (inside-out)

Exploração externa de conhecimento interno: licenciamento de saída, venda de ativos de PI, spin-offs, doação de tecnologia a padrões abertos.

Coupled (acoplado)

Co-criação bidirecional: joint development, consórcios pré-competitivos, corporate venturing e alianças estratégicas com partilha de resultados e de PI.

Licenciamento (entrada e saída) de patentes e know-how
Parcerias universidade–empresa e laboratórios compartilhados
Relacionamento com startups e programas de aceleração
Corporate venturing e investimento minoritário em deep tech
Technology scouting sistemático
Joint development agreements com partilha de PI definida em contrato
Normalização

Família ISO 56000 — sistema de gestão da inovação

ISO 56000 — Fundamentos e vocabulário

Estabelece os conceitos e a terminologia comum de gestão da inovação, permitindo que áreas distintas da organização discutam inovação com o mesmo vocabulário.

ISO 56001:2024 — Sistema de gestão da inovação · Requisitos

Primeira norma certificável da família: define requisitos auditáveis para estabelecer, implementar, manter e melhorar um sistema de gestão da inovação.

ISO 56002 — Sistema de gestão da inovação · Diretrizes

Documento de orientação (não certificável) que descreve como estruturar o sistema, com forte ênfase em contexto, liderança e aprendizagem.

Elementos do sistema
Contexto da organização

Compreensão do ambiente externo e interno, das partes interessadas e do escopo do sistema de inovação.

Liderança

Visão, política e compromisso da alta direção; tolerância calibrada ao risco e ao erro.

Estratégia de inovação

Direcionamento explícito, temas estratégicos, objetivos e critérios de decisão.

Identificação de oportunidades

Processos sistemáticos de sensing, insight e definição de problema.

Portfólio

Seleção, priorização, balanceamento e revisão periódica das iniciativas.

Suporte

Pessoas, competências, recursos financeiros, infraestrutura, PI, ferramentas e gestão do conhecimento.

Operações

Processos de inovação: da ideia à realização de valor, incluindo colaboração e desenvolvimento.

Avaliação de desempenho

Indicadores de input, processo, output, outcome e portfólio; análise crítica pela direção.

Melhoria

Correção de desvios, aprendizagem organizacional e evolução do próprio sistema.